Aécio e Djlma in campagna elettorale. Foto dei siti ufficiali dei candidati

Não será fácil governar

Dividido, Brasil vai às urnas
de Eduardo Fiora

São Paulo (Brasil). Dois partidos dominando a cena política nos últimos 20 anos. Um deles posicionado do centro para a direita. Outro, com perfil de esquerda que, para governar, teve que fazer concessões à direita. Duas décadas de grandes batalhas parlamentares para obstruir, aprovar ou rejeitar projetos do governo. Economia em crise, com Produto Interno Bruto em queda. No final das contas, um país praticamente dividido ao meio quando as urnas chamam o cidadão comum a decidir o futuro político da Nação.
Mas de que país estamos falando? Da Itália do duelo entre berlusconianos e Partido Democrata? Ou do Brasil da disputa pelo poder entre a social-democracia do PSDB e o trabalhismo do PT, de inspiração leninista-marxista, mas transfigurado ao adotar paradigmas econômicos de seu principal oponente?
Como se vê, são grandes as semelhanças entre os cenários da política italiana e brasileira, esta última vivendo momentos decisivos às vésperas do segundo turno da eleição para presidente da República, com a presidente Dilma Rousseff (PT) buscando mais quatro anos de governo – o que significaria 12 anos consecutivos do PT no poder – e Aécio Neves tentando levar de volta à Brasília (capital federal) o projeto social-democrata que com o qual o seu partido governou o Brasil entre 1995 e 2002.
Aécio e Dilma, segundo pesquisas eleitorais chegam à reta final da campanha do segundo turno em situação de empate técnico. Aécio, a princípio, apareceu na frente, com 51%, contra 49% da presidente-candidata. Nos últimos dias, "La Rousseff" despontou na liderança (52% a 48%). As pesquisas não levam em conta votos brancos e nulos que para a Justiça Eleitoral não são votos válidos.
Não será fácil, tanto para Dilma quanto para Aécio, governar em meio a esse dualismo, pois o momento crítico da economia nacional – PIB em baixa, perda de empregos na indústria, contas públicas em desordem, inflação dando preocupantes saltos – exigirá, segundo renomados economistas, a adoção de medidas amargas, a começar por fortes reajustes nas tarifas de energia elétrica e dos combustíveis.
Se, contados os votos, esse cenário eleitoral apontado pelas pesquisas vier a se confirmar, o próximo presidente do Brasil terá que lidar com uma delicada e muitas vezes belicosa divisão de mentes e espíritos.
Quem tomar posse em 1º de janeiro de 2015 estará em posição de xeque e terá que ser extremamente hábil e competente para não ser derrubado pelo xeque-mate das conjunturas econômicas e sociais que desafiam o Gigante Tropical.

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