Presepio napolitano. Foto Museu de Arte e Sacra de São Paulo

História e tradição

Presépios iluminam Natal brasileiro
de Eduardo Fiora

São Paulo (Br). No mês de dezembro, várias cidades do Brasil trazem para o centro das comemorações natalinas um símbolo legado por São Francisco de Assis: o presépio, que ganha importância a partir de inúmeras exposições, como aquela organizada pelos frades franciscanos em São Paulo, que apresenta ao público 64 conjuntos, sendo 26 presépios completos, 25 em miniaturas, seis representações da Fuga para o Egito e sete representações da Sagrada Família.
Presepio Convento São Francisco. Foto Convento São Francisco – São PauloA mostra, montada no Convento São Francisco, no centro histórico da cidade já se tornou tradição, chegando agora à sua 25ª edição. "No presépio o que vale é a bondade, a simplicidade. Aquilo que Deus é e aquilo que Ele nos oferece", afirma o pároco do convento, frei Luís Henrique de Aquino. "O presépio nos ensina a nos sentirmos livres dos pesos da vida complicada que nós muitas vezes adquirimos. O presépio nos faz inocentes, nos sentirmos amigos e irmãos. Quem se aproxima do presépio sente arder dentro de si um fogo de amor bom e puro, e se sente iluminado, e se deixa iluminar por Deus, deixa iluminar sua vida, que é uma aventura misteriosa. Ele faz com que cada um de nós possa sentir o quanto Deus nos ama, e o quanto ele se aproxima de nós, ele vem ao nosso encontro"
Naquela que é a principal cidade brasileira, o Museu de Arte Sacra também promove exposições nesta época do ano, aproveitando um tesouro do acervo: o grande presépio napolitano (século XVIII) que contém 1620 peças e ocupa uma área de mais de 10 metros quadrados. A sala ao lado recebe este a mostra "Presepe di Carta - Coleção Celso Battistini Castro Rosa". São 150 presépios de papel da coleção particular de Castro Rosa – a maior parte deles proveniente da Alemanha e impressos entre os anos de 1890 e 1940.Presepio di Carta (Foto Museu de Arte e Sacra der São Paulo)
Bastante raros, esses presépios de papel, dobráveis, antigos e bem conservados, compõem a importante coleção atraem interesse de colecionadores ao redor do mundo, deixando para trás a fama de "presépios dos pobres" – conhecidos desta forma após a proibição de montagens representando o nascimento de Cristo, por Joseph II, imperador da Áustria, em 1782. Pintados e recortados em papel, esses presépios passaram das igrejas, dos palácios e locais públicos para as famílias e suas casas, recriando a cena da Natividade, então, para os pobres, para as pessoas comuns.
Sob influência da tradição barroca do teatro, entre os séculos XVII e XVIII, habitantes das cidades ricas da Itália e da Áustria contratavam artistas para pintar figuras bíblicas em papel. Porém, o ápice dos presépios de papel teve início apenas em meados do século XIX, coincidindo com o desenvolvimento da litografia – para a época, um novo processo de impressão.

 

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